sábado, 15 de março de 2014

Terceiro ideograma.



Nota de Yolaine Escande: Caligrafia tirada do livro de Chiang Yee, mas impressa aqui em negativo (no original, os caracteres aparecem em branco sobre fundo preto). Trata-se de um detalhe de uma célebre inscrição sobre bronze em escritura dos selos: a Inscrição sobre um grande bronze do clã San, da dinastia dos Zhou, que data de em torno do século XI a.C.

                                       Passagem.
O gosto de esconder o dominou. A
reserva, a prudência o dominou. A
discrição natural, a instintiva tendência
chinesa a apagar seus rastros, a evitar
de se encontrar exposto.

O prazer de manter escondido o dominou.
Assim o escreveu desde então ao abrigo, secreto;
segredo entre iniciados.

Segredo difícil, longo, custoso a par-
tilhar, segredo para fazer parte de uma
sociedade no interior de uma sociedade. Círculo
que, durante séculos e séculos,
vai permanecer no poder. Oligarquia dos
sutis.




O prazer de abstrair o dominou.
O pincel permitiu o passo, o papel
faciliou a passagem.

O real imaginário, o concreto dos sinais
que estavam próximos, podia-se desde
então comodamente se abstrair.

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