domingo, 9 de março de 2014

Primeiro ideograma.



Segundo Yolaine Escande, especialista de estética chinesa e caligrafia, em nota do terceiro volume das Oeuvres Complètes de Michaux, este primeiro ideograma é um selo antigo sobre bronze da dinastia dos Shang-Yin, em torno do século XII a.C., o selo pertencia ou a uma família ou a um clã.

Entretanto, segundo YinYongda, em um artigo publicado na revista Synergie, não se trata de um selo, mas de um verdadeiro caractere arcaico, e a sua data seria a dinastia dos Zhou. Como o caractere representa um homem estendendo a mão para pegar uma jarra de água, esse caractere pode ser associado a noções como "jarra", "cerveja" ou "beber".

Traços em todas as direções. Em todos os sentidos vírgulas, argolas, ganchos, acentos, dir-se-ia, a toda altura, a todo nível; desconcertantes moitas de acentos.

Arranhões, trincos, inícios parecendo ter sido parados de repente.

Sem corpo, sem formas, sem figuras, sem contornos, sem simetria, sem um centro, sem lembrar nenhum conhecido.
Sem regra aparente de simplificação, de unificação, de generalização
Nem sóbrios, nem purificados, nem podados.
Cada um como espalhado,
                                        tal é o primeiro passo*.

* O que, parecendo rasuras, foi comparado a passagens de insetos, a inconsistentes passos de patas de pássaros na areia, continua a carregar, intacto, sempre lisível, compreensível, eficaz, a língua chinesa, a mais velha língua do mundo.




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